Acredito não ser a única a viver com uma angustia por não vencer o tempo e achar que o dia deveria ter mais de 24h. Nas tarefas do trabalho, de casa, do pós-graduação, os exercícios físicos, o lazer, o violão...A semana passa e tenho a sensação de ter feito muito menos do que eu me havia proposto. A angústia vem porque não paro um minuto e mesmo assim isso acontece. E assim como passa a semana, passa o ano, passam anos.
Ingressei na academia de ginástica há dois meses e a atitude decisiva foi tomada após me dar conta de que havia três anos que "prometia" para a médica (e isso adianta? a promessa deveria ser para mim mesma) que começaria a fazer exercícios físicos. A desculpa principal para não ir era a tal da "falta de tempo".
Pois é, estas últimas semanas foram importantes pois decidi mudar de atitude frente a isso. Parei e questionei.-"Mas por que que estou vivendo desta maneira?" Essa sensação de impotência frente ao tempo, ao mundo que parece girar cada vez mais rápido, nos deixando estressados, frustrados e infelizes. Emendamos como loucos uma atividade na outra, estendemos o horário de trabalho, se possível tentamos "sentar em mais de uma cadeira" ao mesmo tempo. São compromissos, tarefas, diversos tipos de exigências, família, amigos, cuidado com a saúde, meio-ambiente, e outros.
Para cumprirmos tudo isso, acabamos lutando contra o tempo. Eu estava, já num ponto de passar grande parte do meu tempo pensando em como otimizá-lo. Ok, isso é importante, no trabalho, por exemplo. Mas não é a isso que me refiro. Estava sincronizando ações do tipo, entrar no carro, colocar a chave e ligar os faróis ao mesmo tempo, já arrancava botando o cinto e tentando meter a frente do rádio de uma vez. Este fato isolado não parece grave, mas se formos somar a todos e pensar no apuro o tempo inteiro, temos como resultado o mais puro estresse. Não dava muita bola para isso, mas sei que temos que buscar bem-estar, cuidar da gente, da mente e da saúde para nos tornarmos melhores. Não é esse um sentido interessante para se dar à vida? Nos tornarmos melhores? Sermos felizes?
Essa "doidera" de fazer atividades múltiplas gera ansiedade. Veja bem, não estou dizendo que não se façam coisas ao mesmo tempo. Poderia muito bem estar assando um pão no forno enquanto escrevo. O que muitas vezes não se dá a devida atenção à determinada atividade, por estarmos fazendo outras, atropeladamente. Isso é que agita, a ansiedade não faz bem, anda junto com a angústia que sentimos, na luta contra o tempo. Por exemplo, atender o celular dirigindo, ou na rua, são atos que não combinam juntos. Na rua, muitas vezes o ruído é grande, não temos onde anotar coisas, pode ser perigoso, pois o pedestre também se distrai, além de não darmos à devida atenção à pessoa com quem estamos falando. Isso também priva do bem estar de caminhar, observar e interagir com o meio, o que gera qualidade de vida.
Sabe o que me deixa muito feliz? caminhar pela cidade, principalmente por São Pelegrino, bairro onde moro e tenho escritório. Comprar meu pãozinho cada dia num lugar diferente, observar as pessoas em suas atividades, a arquitetura, tomar um café, conversar.
É... como diz minha avó, o tempo "ruge" e não urge. Na nossa vida, temos que aprender a lidar com isso. A lição disso tudo é encontrar o equilíbrio. A luta contra o tempo é vã. Temos que fazer o possível, ir fazendo as atividades e o que não conseguimos hoje, fazemos amanhã, talvez tenhamos que deixar de ser imediatistas. Cumprir os compromissos, mas sem esquecer a saúde, a atenção a si e viver as pequenas alegrias do cotidiano.