Como uma faísca atrasada, venho comentar no blog o “Dia Mundial Sem Carro”, que ocorreu neste dia 22 de setembro e mobilizou pessoas e cidades do mundo inteiro. E não fez nem cócegas em outras.
É uma boa iniciativa, devagar e sempre se chega lá, dizemos! Tem o objetivo de conscientizar as pessoas a deixar o carro em casa, utilizando o transporte coletivo, os meios não motorizados, como a bicicleta, iniciando a incorporar no cotidiano os conceitos do transporte e mobilidade sustentável. Estamos num processo muito incipiente aqui em Caxias, a campanha chegou um pouco mais tarde que em outros lugares. Faísca atrasada, como eu, neste caso. Veloz e “de vento em popa” andam as vendas de carro, que aumentam anualmente!!!
Mas como, dizem também que nunca é tarde para começar, fico feliz que já se esteja falando disto em Caxias e é por esta razão que decidi escrever este texto.
Com a temática do transporte sustentável, do “Dia Mundial sem Carro”, do uso da bicicleta como meio de transporte, me familiarizei quando fui estagiária da Secretaria do Planejamento de Caxias do Sul, em 2006. Ali, desenvolvi minha monografia de estágio com a temática inserção da bicicleta como meio de transporte em Caxias do Sul, assunto, até então, pouco abordado no meio acadêmico, recém iniciado como política pública nacional e ainda engatinhando nas mídias.
A partir de então, e ainda estudante, comecei a colocar em prática alguns destes conceitos: andava muito a pé, usava transporte coletivo, muitas vezes fui ao trabalho de bicicleta – sentindo na pele os problemas enfrentados pelos usuários.
Na verdade o “Dia Mundial sem Carro” deveria ser todo o dia. Sem radicalismos, claro. A chave seria utilizarmos o carro no estritamente necessário. Mas para isso, teríamos que ter opção de transporte.
Aqui em Caxias, dependendo da linha ou do itinerário o transporte torna-se limitado, oneroso. Dependendo o deslocamento, o carro ainda é mais econômico. E falo isto com conhecimento de causa, pois já cheguei a fazer anotações sobre itinerários, demoras, etc., a cada viagem que fazia. Tipo um diário de bordo. Mas um dia chegamos lá! Eu acredito!
Hoje, já formada, fica difícil praticar os preceitos do “Dia Mundial Sem Carro” como gostaria. Na profissão do arquiteto, o carro é “uma mal necessário”, pois temos que ir a diversos lugares em um período curto de tempo, ir a obras, clientes, lojas, reuniões, o que levaria horas perdidas e gastos com taxi e ônibus, o que torna praticamente inviável. Compenso de outras formas: optei por morar ao lado do trabalho para evitar estes deslocamentos.