Não pense que porque o carro é quase indispensável na profissão eu não tenha andado a pé. E ainda ando, muito! Uso bastante também o transporte coletivo.
Quando dá tempo, e tenho que ir somente a um lugar e voltar para o escritório, vou de carona e volto a pé, vou de ônibus, pego um taxi e assim vou. Sempre busco o equilíbrio. Quando tenho que usar o carro, não tem jeito. E pronto.
Nem sempre isto foi uma opção. Muitas vezes tive que fazer isto pela ausência de uma carro. Hoje, ainda divido carro com a família e muitas vezes “me pego sem!”. Me sinto descalça!!! Embora prefira a sensação de liberdade de estar a pé, sinto falta do aprisionamento do carro.
Muitas vezes fui à obras de taxi. E estas idas me fizeram vivenciar muitas histórias estranhas e engraçadas.
Certa vez, cheguei de taxi na obra e o mestre grita lá de dentro: -“Oh, Ana, quando é que tu vai comprá um cavalo?”
Em outra obra, vivenciei quase um drama (tá estou exagerando um pouco!) que hoje dou risada, mas já fiquei presa numa obra por estar a pé. Explico: peguei um ônibus até a obra, cheguei e avisei o mestre que o esperaria lá encima para conversarmos. Enquanto ele não vinha, fui tirando umas medidas. Como não queria perder tempo, me concentrei demais no trabalho, e quando me dei por conta, estava um silêncio na obra. Desconfiei, mas continuei medindo e esperando pelo mestre, já que havíamos combinado de conversar e ele não me deixaria na mão.
De repente escutei o soar do alarme. Então me dei conta do que estava acontecendo, eles já tinham ido e estavam fechando a obra. Detalhe, numa sexta final da tarde. Talvez alguém viesse me buscar na segunda!
Bom, saí correndo, quase caí no vão da escada, quase me matei, na verdade. Chamei pelo mestre. Quando cheguei na porta, ela estava fechada. Sei que olhei para o tapume, esta superfície cinza e rústica e apenas um elementinho se movia neste mar de estanqueidade: o piscar dos seus olhos atrás do buraco da corrente. Foi quando vi que Gilmar tinha me encontrado. Me disse: -“Guenta ai que vou te tirar”. Mas.. por que tirar? Seria isto um resgate? Porque ele já tinha trancado o cadeado e a chave ficava com a segurança.
Não sei como Gilmar entrou na obra. Pegou uma escada e colocou ela no muro de divisa, para o terreno fora. O detalhe é que para eu acessar o muro e descer a escada, tinha que dar um passo da laje onde estava para o mesmo, cruzando um precipício de aproximadamente três metros. Além de dar o passo, tive que dar meia volta em 25cm de muro – quase uma corda bamba- para descer a escada de ré. Minha única segurança era meu equilíbrio e a mão de Gilmar, que também estava em pé, de equilibrista.
Após descer e agradecer aos céus por ter chegado viva ao chão, no terreno do vizinho, perguntei ao mestre se ele já tinha assistido ao filme “Esqueceram de Mim”. Ele me respondeu que desceu, olhou a redondeza, viu que não tinha nenhum carro, e achou que eu tivesse ido embora!!! Vê se pode!!!
No final da história, ele propôs a combinação de que eu poderia ir na obra sempre que pudesse nos finais de tarde que ele me daria uma carona de volta até São Pelegrino. Acabei fazendo amizade com ele e vivendo histórias do cotidiano que a redoma individual chamada automóvel talvez não me permitisse.
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